sexta-feira, 30 de setembro de 2016

PLANTAS DO JARDIM FITOGEOGRÁFICO – BRAÚNA E OS OURIÇOS

flores de Melanoxylon brauna

Quase todos aqueles que já andaram por fazendas e sítios, no Rio de Janeiro e demais estados do Sudeste, escutaram falar nas célebres cercas feitas com lascas de braúna: esteios de madeira dita imputrescível, de coloração escura, outrora abundante, nos domínios da Floresta Atlântica. Hoje, não são mais encontrados, por estarem essas árvores, ao menos aquelas de porte madeirífero, praticamente extintas na natureza. Foram exploradas à exaustão, na esteira da abertura das pastagens, desde o Século XIX, processo que arrasou florestas, além da busca seletiva pela madeira de lei, naquelas que ainda ficaram de pé.

Os esteios de braúna ainda são encontrados, em velhas cercas, até hoje, atestando sua dureza e persistência. Mas, nos dias atuais, utiliza-se, principalmente, a madeira do eucalipto tratado, muito dura também, embora sem rivalizar com a braúna. Extensos reflorestamentos da madeira australiana são capazes de suprir a demanda por este tipo de material, com muito mais eficiência que a nobre árvore nativa brasileira.

Melanoxylon brauna é a identidade botânica da braúna, que pertence à grande família das fabáceas (antigas leguminosas) e ainda existe, de forma abundante, mesmo nas florestas regenerativas, como é o caso daquela que recuperamos, aqui, no Jardim Fitogeográfico (ver postagem - http://orlandograeff.blogspot.com.br/2016/09/quesnelia-arvensis-bromelia-da-floresta.html ). Mas, antes que você pense que estamos em contradição, por reputá-la extinta, algumas linhas atrás, deixe-me explicar: assim como os jacarandás-da-bahia, caviúnas e perobas-de-campos, outras espécies nobres de nossa flora, as braúnas ainda existem, porém, na forma de árvores jovens, muito ramificadas e sem potencial de exploração madeireira. Ou seja, a espécie não está extinta; mas o patrimônio madeireiro sim!

Esta é a situação de uma planta desta espécie, que vive na floresta do JARDIM FITOGEOGRÁFICO, que representava delgada arvoreta, em 2008, quando foi iniciada a recuperação da capoeira abandonada, tendo se desenvolvido esplendidamente, desde então, atingindo mais de dez metros de altura, nos dias de hoje. Nossa braúna vem se ramificando bastante, espalhando-se e cobrindo boa área de sub-bosque, que vai igualmente se modificando, mercê de sua sombra.



Acima - nossa braúna, em 2008, quando começamos a reflorestar o JARDIM FITOGEOGRÁFICO
Abaixo - a mesma árvore, atualmente, abrigando algumas de nossas orquídeas e bromélias, em seu tronco



Em nossa braúna, vivem diversas bromélias e orquídeas, todas elas cultivadas por nós, em seu tronco, cuja casca é bastante áspera e tolerante a esta função. Como típica árvore decídua (que perde as folhas, anualmente) da Floresta Estacional Decidual do Vale do Paraíba, da qual é espécie característica, Melanoxylon brauna  começa a produzir novas folhas nesta época de primavera, quando aparecem suas pequenas flores amarelas. Essas flores são muito palatáveis ao ouriço-cacheiro (Coendu vilosus), aquele roedor tranquilo, mas cujos pelos se armam de perigosos espinhos, com que nossos cães insistem em encher a boca, levando-nos a procurar o serviço veterinário de urgência, nas horas e dias mais impróprios.


Acima - ouriço-cacheiro, nos galhos de nossa braúna e - Abaixo - devorando avidamente as flores da árvore


Nenhum comentário:

Postar um comentário