quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

PLANTAS DO JARDIM FITOGEOGRÁFICO – SCHWARTZIA BRASILIENSIS - RABO-DE-ARARA


Schwartzia brasiliensis

As restingas arenosas do litoral brasileiro, principalmente aquelas da Região Sudeste, são a pátria de muitas belas plantas, que cultivamos em nossos jardins. O ambiente úmido, disposto a fortes índices de radiação solar, fez surgir diversas plantas de folhas duras e resistentes, muitas delas produzindo flores vistosas, servindo para atrair seus polinizadores tão longe das florestas. As orquídeas e bromélias das restingas são célebres pelo seu caráter escultural; mas, as trepadeiras e plantas escandentes da matinha baixa das restingas também guardam lindas surpresas.

Uma dessas gratas surpresas das baixadas litorâneas do país é Schwartzia brasiliensis, antes conhecida como Norantea brasiliensis, uma marcgraviácea arbustiva, que se entremeia às arvoretas ramificadas dos scrubs costeiros. Ocorrem desde o Ceará, no Nordeste, até Santa Catarina, na Região Sul. Mas, é nas restingas fluminenses que essas belíssimas plantas mostram seu efeito paisagístico, com maior força. No litoral do Rio de Janeiro, eram avistadas nas restingas da Barra da Tijuca, já completamente extintas, e também na Região dos Lagos, no litoral de Cabo Frio.

O nome aqui referido – rabo-de-arara – não é muito conhecido e serve mais à sua parente do Brasil Central: Norantea guianensis. Sendo planta muito pouco difundida, em nossos jardins, é mais conhecida como “norantea”, simplesmente. Não é assim tão fácil de se conseguir uma muda de Schwartzia brasiliensis, nos hortos comerciais, certamente não se devendo isso a qualquer dificuldade de propagação, pois isso se dá com razoável facilidade, usualmente por mergulhões e alporques, também através de sementes, que germinam ao redor da planta, principalmente nas bainhas das folhas das bromélias-tanque.

Essa capacidade de germinar no meio das bromélias é justamente um dos recursos desta planta, nas restingas, para saltar os vazios arenosos, que costumam se interpor, entre uma ilha e outra de vegetação arbustiva. Por lá, são vistas misturando suas inflorescências extremamente ornamentais às de bromélias importantes, como Vriesea neoglutinosa e Vriesea procera, assim como de orquídeas comuns desse ecossistema, tais como aquelas do complexo de Epidendrum secundum.


As inflorescências de Schwartzia brasiliensis possuem nectários que propiciam maná para aves, muito especialmente beija-flores, que acorrem com frequência, assim como saíras, cambacicas e tantas outras aves tropicais. Por isso, o rabo-de-arara deveria ser muito mais utilizado, em nossos jardins residenciais, para trazer para perto de nós essas joias voadoras, que alegram o ambiente. No JARDIM FITOGEOGRÁFICO, integram os maciços de arvoretas e arbustos de restingas e campos rupestres, imitando a maneira com que ocorrem na natureza. 



Acima - Schwartzia brasiliensis no JARDIM FITOGEOGRÁFICO
Abaixo - Os maciços de plantas do JARDIM FITOGEOGRÁFICO buscam imitar a natureza: Schwartzia brasiliensis, junto com a bromélia Vriesea neoglutinosa, ambas das restingas fluminenses



2 comentários:

  1. Olá Orlando! Muito grata por sua contribuição. Estou pesquisando plantas que se adaptam à maresia, ventos fortes e muita umidade e acabei descobrindo a Norantea. Ela parece ser incrível!

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  2. No final do mês de janeiro último ao passar pela rodovia entre Bertioga e Barra do Una (São Sebastião) avistei algumas em plena floração. Destacam-se em meio à vegetação, pois são muito vistosas. Mas não são abundantes. Talvez dentro de alguns anos desapareçam, com a ocupação frenética dessa região do litoral paulista. Um pena, tão linda e tão ignorada.

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